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O que são Narrativas Gráficas?




A representação visual da realidade com ferramentas técnicas é algo que está presente desde o começo da própria humanidade. Pinturas rupestres, hieróglifos, pergaminhos da dinastia Heian, manuscritos em imagem de civilizações pré-colombianas, arte em tapeçarias medievais, obras renascentistas e peças publicitárias são algumas das formas nas quais podemos conferir a perpetuidade dessa noção.


O ato de apresentar uma imagem para se referir a um objeto ou ação é, em essência, um reforço para que a memória não perca sua validade, apesar do pertinente questionamento levantado pelo pintor modernista René Magritte em sua obra “A Traição das Imagens”. Representações visuais de uma narrativa gerada a partir da experiência de determinado indivíduo ou conjunto de indivíduos servem, então, como uma forma de ensinamento e registro histórico para que gerações posteriores continuem tendo acesso a esses eventos considerados marcantes, em um nível que nem sempre poderia ser alcançado pela tradicional prática oral do folclore de culturas específicas ao redor do

planeta.


Quando o artista norte-americano Richard Outcault lançou a sua narrativa Down Hogan’s Alley no jornal “New York World” em 1895, esse evento passou a ser considerado por muitos como o berço das Histórias em Quadrinhos enquanto meio de comunicação de massa, ou seja, um conteúdo produzido por uma quantidade limitada de indivíduos e que seria consumido por dezenas, centenas, milhares e até milhões de outros fora da estrutura de produção da obra em si. Contudo, apesar desse “marco oficial”, a forma de narrativa dos Quadrinhos já existia não apenas de maneira embrionária, mas com muito da essência que viria a possuir a partir da explosão de sua popularidade nos Estados Unidos e, posteriormente, no cenário internacional.



Muitos historiadores questionam esse título de criador da mídia das Histórias em Quadrinhos por Outcault com base em trabalhos de narrativa gráfica preexistentes, tais como as críticas sociais gráficas nos chamados e-makimono (formato precursor ao mangá japonês) ainda no século XII pelo monge Kakuyu Toba e posteriormente pelo humorista Katsushika Hokusai, as caricaturas satíricas do professor suíço Rodolphe Töpffer na primeira metade do século XIX, a obra infantil “Max und Moritz - Eine Bubengeschichte in sieben Streichen” lançada pelo artista alemão Wilhelm Busch em 1865 e, inclusive, um caso envolvendo o ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, que publicou sua narrativa gráfica “As Aventuras de Nhô Quim – Um Caipira na Capital” em 30 de Janeiro de 1869 (razão pela qual, desde 2001, é celebrada nessa data o Dia do Quadrinho Nacional pelos brasileiros).


Divergências à parte, a mídia se popularizou a partir da sua publicação em periódicos da época, evoluiu para revistas em formato magazine dedicadas exclusivamente a esse tipo de conteúdo e fomentou toda uma indústria criativa, com um mercado ativo e uma grade de produção que emprega milhares de profissionais no mundo todo. Vertente para a essência do objetivo original da humanidade ao representar graficamente objetos, pessoas e eventos – o registro da existência de determinada experiência, forma ou vivência –, as Histórias em Quadrinhos seguem uma mesma lógica aplicada às obras audiovisuais em sua mais pura compreensão. Uma vez que os filmes nada mais compreendem que a exibição da captura mecânica da realidade através da lente de uma câmera na faixa média de 24 frames por segundo, constituindo pela sequência das imagens a ilusão de movimento, em paralelo com a reprodução dos elementos sonoros captados por este mesmo mecanismo ou outros mais especializados, quadrinistas como os norte-americanos Scott McCloud e Will Eisner destacaram sua proximidade narrativa dos Quadrinhos, e em nenhum ponto isso é mais notável quanto ao se observar a prática do Storyboard nas fases de pré-produção de uma obra voltada para o cinema, a televisão ou as novas plataformas de conteúdo digital.




Um Storyboard é uma estrutura que define muitas vezes o enquadramento ao qual determinada sequência audiovisual deverá ser conduzida, compreendendo conceitos de composição, dramaticidade e efeito e conseqüência, entre outras questões narrativas. Isso pode parecer igual ao que se espera de uma História em Quadrinhos, contudo, enquanto o primeiro apresenta apenas uma narrativa visual incipiente, sem quaisquer referências textuais com propósito expressivo, a segunda carrega um refinamento das imagens retratadas, além de contar com diversos elementos lingüísticos que compõem a mídia da Arte Seqüencial. Além do que é apresentado nos quadros, uma HQ também é construída pelos espaços entre suas cenas, chamados em geral de sarjetas, além de também utilizar do recurso textual de forma ímpar quando comparado com outros meios de comunicação por trabalhos específicos com os próprios balões de fala. Todos os elementos possuem um papel na expressividade de uma narrativa.






Apesar das distinções, tendo os muitos dos mesmos princípios presentes na sua construção, tanto as Histórias em Quadrinhos quanto os Storyboards possuem uma riqueza de uso no ambiente de trabalho, podendo servir aos interesses de empresas cujo foco seja apresentar uma narrativa gráfica que compreenda um conteúdo ficcional ou biográfico de finalidade particular (filmes, documentários, histórias), uma campanha de propaganda para um produto ou serviço (como ferramenta de gerar mais engajamento e de ser lembrada por parte de potenciais consumidores e clientes), ou mesmo um conteúdo mais poético e artístico (clipes musicais, vídeos de causas sociais).

Um exemplo de um profissional que marcou seu nome no trabalho com a narrativa gráfica em mais de uma vertente e que merece ser destacado aqui foi o desenhista Windsor McCay, autor de “Little Nemo in Slumberland”, obra até hoje muito conceituada devido à sua riqueza de exploração dos recursos midiáticos das Histórias em Quadrinhos, e que o autor procurou transferir para o formato de animação, inspirado na lógica por trás dos livros ilustrados de estilo Flip (cuja proposta é a mesma da ilusão de movimento do cinema pela repetição e alteração de quadros, mas em uma velocidade mais reduzida). McCay produziu quatro mil desenhos que, quando apresentados em velocidade, compreendiam uma animação de quatro minutos de duração, que eram apresentados durante uma película que ele mesmo criou para apresentar no seu círculo de amizades com o título “Winsor McCay: The Famous Cartoonist of the N.Y. Herald and His Moving Comic”.





Com o passar dos anos, as narrativas gráficas adquiriram novas formas e aplicações, mas sempre estiveram intricadamente associadas ao ser social que constrói nossa identidade enquanto humanidade. E mesmo que não possamos saber o dia de amanhã, o registro de tudo aquilo que nós vivemos hoje e daqueles que viveram antes de nós, das lições aprendidas enquanto indivíduos e em sociedade, será sempre fundamental para que possamos expandir nossos horizontes, buscando sonhar cada vez mais alto, tal qual o pequeno Nemo, protagonista da história de McCay, e buscando meios factíveis para tornar esses desejos realidade, e através dessa conquista, abrir novas portas para todos ao nosso redor terem recurso de almejar tal realização.



Precisamente com esse objetivo de ajudar os seus alunos a irem mais longe e alcançarem significativo retorno e reconhecimento pessoal e profissional, a Escola Lipe Diaz oferece aos interessados o curso de Desenho Base para aqueles que desejam iniciar uma jornada própria visando à formação profissional no campo gráfico. A partir dessa introdução, os interessados podem se encaminhar, ainda, para duas diferentes alternativas que encontram carências que o mercado busca constantemente saciar – de um lado, o curso de Ilustração Digital e Concept Art, voltado para o trabalho com artes conceituais (concept art), base para toda criação de conteúdo visual para games, filmes, séries, animações e para finalidades editoriais; e, de outro lado, o curso de Histórias em Quadrinhos e Storyboard, que visa trabalhar o uso dos recursos visuais para criar significado e transmitir uma sequência de eventos. Em outras categorias, ainda há o curso de desenho avançado e o curso de desenho digital, que procuram elaborar de forma mais trabalhada as faculdades aprendidas no modelo básico, cada qual dentro de suas propostas.


Para que as próximas gerações vejam tudo que você é capaz de criar e fazer, é que estendemos o convite para que venha criar sua própria história conosco. Certamente será algo digno de registro.


Autor: Gabriel Guimarães

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